Hoje se auto classificando como bolsonarista de carteirinha, o pecuarista e pré-candidato ao Senado Federal, Bruno Roberto (PL), parece que se agarra à memória curta do eleitorado para tentar se viabilizar como opção na disputa. Isso porque, apesar de criticar a postura de adversários que, segundo ele, tentam pegar carona na popularidade de Bolsonaro, Bruno também tem uma trajetória não tão linear assim.

Só na última década, conforme levantamento feito pela reportagem do PB Agora, Bruno patinou por todas as alas em que pôde ser beneficiado, tendo sido aliado de José Maranhão (MDB), de Dilma (PT), de Veneziano (MDB) e até de Ricardo Coutinho (à época PSB), colhendo benesses de todos os lados nesse período.

Já hoje Bruno busca se firmar como novidade, associando sua imagem à de Bolsonaro que é o detentor da caneta presidencial. Mas, vale lembrar, que nem sempre foi assim. Em postagem nas redes sociais, no ano de 2020, por exemplo, Bruno endurecia o discurso contra o presidente Bolsonaro a quem fazia questão de classificar como ‘irresponsável e irracional’. Dois anos depois, no entanto, esse conceito mudou e pré-candidato trata o presidente como o melhor para o Brasil.

Para quem tem memória curta, a reportagem faz uma breve retrospectiva do estilo camaleão de ser de Bruno Roberto. No ano de 2010 ele ocupou o cargo de Secretário de Agricultura no Governo Maranhão III. Já em 2011, foi nomeado superintendente da Agricultura na Paraíba na época do governo Dilma Roussef, do PT.

No ano de 2012 foi alçado a candidato a vice do MDB com o apoio do hoje senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) – a quem surpreendentemente atribui nota zero como parlamentar no Congresso Nacional. Perdeu àquele pleito.

Na campanha de 2014 Bruno foi flagrado e preso por compra de votos. O caso, que teve ampla repercussão nacional, ocorreu no bairro da Catingueira, em Campina Grande, onde ele foi pego com dinheiro, contas de luz, água, fraldas descartáveis, brinquedos e panfletos de propaganda eleitoral dentro do carro. Para ser liberado da delegacia da Polícia Federal, na Rainha da Borborema, a família Roberto teve que desembolsar uma fiança de R$ 70 mil. Desde lá o processo por crime eleitoral contra Bruno Roberto segue sem ser julgado.

Mais tarde, em 2016, Bruno foi nomeado pelo então governador Ricardo Coutinho (PSB) para assumir a titularidade na Secretaria de Estado de Juventude Esporte e Lazer (Sejel-PB), cargo que ocupou até 2018. Também em 2018, Bruno disputou a vice-governadoria na chapa de Maranhão, mas amargou nova derrota, dessa vez para o hoje governador João Azevêdo (PSB).

Em 2020 ele se posicionava, sem cargo algum, contra Bolsonaro e agora, em 2022 se intitula como o legítimo representante do presidente no estado. Entre essas várias faces, ao que parece, é Bruno que hoje tenta ‘pegar carona’ na onda Bolsonaro para se viabilizar como opção, tendo em vista que, como integrante da esquerda e do centro esquerda nunca obteve sucesso.

PB Agora