Foto: Marcelo Camargo

Depressão infantil existe? Muitas pessoas podem acreditar que não, afinal, vemos muitos casos de jovens, adultos e idosos com depressão, mas quase nada sobre crianças. Embora não seja muito frequente, elas também podem sofrer com o transtorno é o que comentam os psicólogas Tânia Inessa e Ana Xavier.

Segundo as especialistas a manifestação da depressão na infância é de difícil identificação. Como a criança está em desenvolvimento, por vezes, os pais percebem certas atitudes e comportamentos como parte desse processo. Tânia Inessa destaca que a criança pode apresentar situações de irritabilidade e até agressividade, que muitas vezes são confundidas com birras pelos pais. “É importante que os pais percebam principalmente essas mudanças comportamentais nas crianças, e observem com cuidado para não entender como um episódio pontual”, afirma a psicóloga.

Ainda segundo ela, o desenvolvimento da depressão infantil pode estar ligado a gatilhos. A médica, que também é coordenadora do Departamento de Desenvolvimento e Comportamento da Sociedade de Pediatria do Distrito Federal, aponta que situações traumáticas são os principais estopins para o transtorno. “Morte de um dos pais ou cuidadores próximos, situações de exposição à violência e maus tratos, ou divórcio podem ser situações motivo para a depressão infantil”.

Assim também pensa a psicóloga Ana Xavier, onde afirma que são cada vez mais frequentes casos de depressão na infância e na adolescência, podendo ser percebido a partir dos seis anos de idade. “Período este que já pode ser verbalizado o sofrimento, apesar de muitas vezes não o entender. Já por volta dos oito anos até a adolescência, eles já têm uma clareza maior e já conseguem interpretar os sentimentos”, outro fator que vem ampliando esses casos segundo a profissional é a pandemia da Covid-19.   “Pelo fato de ficarem muito tempo em casa, das perdas significativas tanto de pessoas queridas (morte), como perda da liberdade de sair, de ter sua rotina. Há ainda o aumento do uso em excesso das telas (tecnologia), causando mais ainda o isolamento social. Quem já era vulnerável, acabou abrindo gatilhos maiores”, disse Ana Xavier.

Confira os sinais de alerta da depressão infantil

Sono irregular

A criança com depressão apresenta dificuldades para dormir. Não consegue pegar no sono, fica irritada ou acorda diversas vezes durante a noite. Seu descanso é perturbado, impossibilitando-a de recarregar as energias adequadamente.  O cenário também pode ser o oposto: a criança dorme por longos períodos, sentindo sono em momentos que antes era ativa.

Mudança dos hábitos alimentares

Este sinal também pode ser observado nas duas formas: comer em excesso ou quase não comer. Se a criança deixa de comer o lanche ou se recusa a terminar o prato de almoço com frequência, os pais precisam ficar de olho para as possíveis razões.

Dificuldade para se separar dos pais

Quando a criança começa a ir para a escola ou creche, é normal haver uma estranheza nas primeiras semanas. Crianças pequenas, especialmente, não gostam de ficar longe dos pais. Esse comportamento é normal até certo ponto. Se a ansiedade da separação crescer e se tornar diária, é um sinal de alerta do emocional debilitado da criança.

Constantes reclamações

A criança reclama de dores em partes do corpo ou de machucados com frequência. Até pequenos arranhões são razões para alarde. Mesmo após o medicamento ou tratamento do ferimento, a criança volta a reclamar dentro de um curto período.  É possível, também, notar reclamações de algumas situações como aulas, coleguinhas de classe ou atividades. Ela se recusa a enfrentá-las, podendo chorar ou ficar irritada ao ser forçada a fazer determinada tarefa.

Irritabilidade

A criança com depressão fica irritada com facilidade, podendo responder os pais, fazer escândalos apenas para contrariar e expressar-se aos berros. Ela pode até mesmo se irritar com a forma que seus brinquedos estão organizados ou ao executar tarefas diárias, como trocar de roupa e escovar os dentes.

Fadiga

Explorar e brincar são as atividades favoritas dos pequenos. Os mais quietos, apesar de não saírem correndo ou pulando como os demais, também são curiosos e estão atentos às novidades ao seu redor. Ou seja, eles estão sempre fazendo alguma coisa: lendo, assistindo TV, jogando no computador, brincando no quintal ou com brinquedos.

PB Agora