Depois de um ano marcado pelo aumento nos preços dos combustíveis, da energia elétrica e dos alimentos, 2022, ano de eleição, deve ganhar um novo candidato a vilão da inflação: o transporte público é o que apontam especialistas no setor. A alta no preço do diesel, a redução de passageiros transportados na pandemia e a pressão por reajustes salariais de motoristas e cobradores colocam os governos locais em todo o Brasil diante de uma equação difícil: elevar fortemente a passagem — acima dos R$ 0,20 que geraram protestos em 2013 — ou conceder subsídios a empresas de ônibus, trens e metrô.

Estimativas de empresas e especialistas como Marcio Rodrigues representante da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), apontam que repassar os custos para a tarifa paga pelo passageiro significaria aumentos de 40% a 50% — a passagem média do Brasil é de em média R$ 4,01, segundo as operadoras. Segundo Marcio, aumentos desproporcionais, como a alta de 65% do diesel nas refinarias, afetam a operação e ampliam o déficit das empresas, que foi de R$ 17 bilhões apenas durante a pandemia. Com o IPCA acumulado em 12 meses de 10,25% até setembro, é considerado inviável repassar integralmente o reajuste à população, que viu sua renda encolher, principalmente os mais pobres.

Para o presidente do  Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros (Sintur-JP) Isaac Júnior, o preço do diesel está tornando o transporte inviável e a única forma de suprir os prejuízos seria o reajuste. Atualmente, o valor cobrado nos ônibus da capital é de R$4,15, e a última vez que houve alteração no preço foi em janeiro de 2019.

Isaac Júnior, destaca ainda que as empresas estão enfrentando dificuldades devido à queda no número de passageiros (de 220 mil/dia para 140 mil/dia) e aos aumentos do combustível pela Petrobras. “Em função dos constantes aumentos verificados no período, principalmente o valor do óleo diesel, existe sim essa possibilidade”, afirmou sobre o reajuste. “Esses sucessivos aumentos anunciados dos combustíveis têm nos preocupado bastante. Para se ter uma ideia, o óleo diesel representa hoje, aproximadamente, 29% dos custos do transporte coletivo de passageiros”, afirmou.

De acordo com o presidente do Sintur-JP só em 2021, os aumentos representam mais de 60%, o que compromete não só a qualidade do serviço, mas a própria operação. Ainda segundo ele, mesmo com o anúncio feito em outubro, pelo Governo do Estado, decongelamento dos preços nominais dos combustíveis por 90 dias, ele afirmou que pode não haver mais aumentos nesse período, mas já ocorreram ajustes que significam mais de 65% de elevação no preço do litro.

PB Agora