Em 2018, o então juiz Sergio Moro era uma celebridade festejada e muito cortejada. Por aqueles tempos, recebeu até prêmio de personalidade mundial nos Estados Unidos.

Quatro anos depois, a bola já não está tão cheia. O pesado ataque do mundo político à Lava Jato, com revelações de impropriedades na relação e diálogo com procuradores, e o desgaste no Governo Bolsonaro tiraram o verniz do ícone.

Ainda assim, Moro tem um bom aliado no seu projeto de candidatura à reeleição: o discurso contra a corrupção. Apesar de tudo, ele encarna o figurino anticorrupção, um tema que não saiu da pauta para parcela significativa do eleitorado.

No currículo, o ex-magistrado carrega decisões que encorajariam poucos. Pouquíssimos. Aliás, nossa tradição jurídica sempre oscilou entre relação amiga com poderosos, vistas grossas aos malfeitos e leniência com crimes do colarinho branco. Ou a famosa morte dos processos pelo cansaço.

Moro se insurgiu contra a regra. Se excedeu? Sim. Mas não há ninguém capaz de desconhecer o protagonismo, o destemor e a eficácia técnica da Lava Jato no desmantelamento de uma grande organização criminosa montada para dilapidar o patrimônio público e irrigar projetos de poder.

E é exatamente esse o grande inimigo do ex-ministro: um sistema político que não tem o menor interesse em viabilizar o projeto de quem seriamente fustiga o status quo. Partidos e políticos influentes querem a caveira de gente com o perfil do curitibano.

Nessa nata obscura inclui-se parte significativa da magistratura com histórico, excelente e desobstruído trânsito com o andar de cima. Para quem sempre habitou terreno intocável, Moro é ameaça, alvo a ser combatido, portanto. Não por acaso, a tarefa de eliminá-lo une ‘contrários’.

Mais PB