Um desabafo impressionante foi feito pelo secretário de Saúde de João Pessoa, Fábio Rocha. Ao ser questionado sobre a falta de insumos no Complexo Hospitalar Tarcísio de Miranda Burity, mais conhecido como Trauminha de Mangabeira, ele revelou que já teve vontade de fechar a unidade por causa da dificuldade na aquisição de itens indispensáveis ao seu funcionamento, como fio de sutura ou luvas.

“Eu já tive vontade de fechar o Trauminha porque eu não posso ter um hospital em que falte fio de sutura. Por que? porque é impossível comprar ou então não tem. Eu tenho tudo documentado. Várias licitações. Tem duas expressões que estão na minha vida: deserta, quando não aparece ninguém, e fracassada. O Brasil está assim, infelizmente. Há uma especulação no mercado exterior, o dólar subindo… o cara compra um item, o preço sobe por causa do dólar e o fornecedor não quer entregar pelo preço que havia sido combinado. Falta material, insumos, e elevam-se os preços e os comerciantes querem ganhar mais dinheiro”, disse ele em entrevista à TV Cabo Branco.

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Na noite de terça-feira (9), o diretor de fiscalização do Conselho Regional de Medicina do Estado da Paraíba (CRM-PB), Bruno Leandro de Souza, reuniu-se com diretores e médicos do Trauminha para discutir os graves problemas que o hospital vem passando. Ainda esta semana, o CRM-PB deverá se reunir com o secretário municipal de saúde, Fábio Rocha, para traçar um plano de ação com cronograma, com o intuito de que as falhas sejam resolvidas o quanto antes.

“O hospital tem problemas crônicos que persistem há anos. Fizemos uma reunião extensa com os médicos que estão no dia a dia do hospital e que conhecem bem essas questões. Um equipamento de saúde como o Trauminha não pode ficar na situação em que está. O Conselho pretende acompanhar de perto esse plano de ação para que o hospital preste um atendimento adequado à população e ofereça condições de trabalho dignas”, disse Bruno Leandro.

Os médicos relataram a falta de insumos básicos no Trauminha como lâmina de bisturi, luvas de procedimento, fios de sutura, cateter intravenoso, dentre outros. Os profissionais também afirmaram que o hospital não tem condições de agendar alguns tipos de procedimentos, como as cirurgias de cabeça e pescoço, por não possuir equipamentos e medicamentos especiais para tais operações. Muitas vezes faltam também antibióticos e outros remédios.

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