(crédito: Arquivo/Petrobras)

A Petrobras está novamente na berlinda. Nesta quarta-feira (29/9), os líderes partidários na Câmara dos Deputados, convocados pelo presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), discutirão medidas alternativas para reduzir o preço dos combustíveis. Ontem, Lira utilizou as redes sociais para criticar a política de reajustes da estatal, baseada na paridade dos preços internos com a cotação internacional do barril do petróleo.

“O fato é que o Brasil não pode tolerar gasolina a quase R$ 7 e o gás a R$ 120”, afirmou o presidente da Câmara, por meio do Twitter. “O diretor da Petrobras Cláudio Mastella diz que estuda com ‘carinho’ um aumento de preços diante desse cenário. Tenho certeza que ele é bem pago para buscar outras soluções que não o simples repasse frequente”, completou Lira.

Um dia antes, na segunda-feira, durante cerimônia em celebração dos mil dias de governo, o presidente Jair Bolsonaro havia afirmado que não estava satisfeito com o preço da gasolina e, embora não tenha criticado diretamente a Petrobras, informou que tinha se reunido com o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, para tratar de formas de diminuir o valor dos combustíveis.

Horas depois, o presidente da estatal, general Joaquim Silva e Luna, convocou entrevista coletiva na qual afirmou que não haveria mudança na política de preços da empresa. E, ontem, a companhia anunciou um pesado reajuste para os preços do óleo diesel nas refinarias.

O economista César Bergo, presidente do Conselho Regional de Economia do Distrito Federal (Corecon-DF), explicou que, após o escândalo do “petrolão” — em que sofreu tanto com a corrupção de dirigentes quanto com a política artificial de controle de preços pelo governo —, a Petrobras melhorou os níveis de governança, tanto para dar respostas à sociedade brasileira, como aos investidores estrangeiros, uma vez que as ações da empresa são listadas em bolsas internacionais.

“A metodologia (de preços) da petrolífera segue padrões internacionalmente aceitos e visa também dar a devida e necessária competitividade à empresa, que está blindada de interferências políticas”, afirmou Bergo. “Aos poucos, a empresa recuperou seu valor de mercado e seguia na normalidade até surgirem os rumores atuais, com o viés político”, observou, referindo-se à uma eventual nova troca de comando na estatal que, para ele, “colocaria dano à reputação e imagem da empresa perante o mercado”.

Para o economista Lauro Chaves Neto, conselheiro federal de economia, o debate vai além do aumento ou redução de preços dos combustíveis, pondo em xeque o papel da Petrobras na economia brasileira. “O governo é sócio majoritário da empresa. Ela deveria contribuir para a estabilização da economia, e a redução da pressão inflacionária e das desigualdades”, afirmou.

José Luiz Pagnussat, ex-presidente do Conselho Federal de Economia, concorda. Para ele, é urgente a mudança da política de preços dos combustíveis, que considera a principal responsável pelo aumento da inflação e pelo bloqueio da retomada do crescimento da economia. “A política da Petrobras é uma total falta de bom senso. Tem o objetivo equivocado de viabilizar a lucratividade de empresas que, porventura, se interessem em importar combustíveis e ofertar no mercado interno. A ideia de competição é falsa. Os efeitos dos aumentos de preços sobre toda a economia são negativos”, ressaltou.

“A gasolina, o óleo diesel, os combustíveis mais caros, além de aumentarem os custos do processo produtivo, encarecem os transportes e aumentam os preços de todos os produtos, especialmente de alimentos. Aumenta também os custos da energia elétrica, dado que parte da geração vem das termoelétricas”, explicou Pagnussat.

Bergo tem uma visão diferente. Na avaliação dele, o problema é o preço internacional do petróleo e o dólar, que não param de subir. “Poderia ser buscada alternativa de redução de impostos, temporariamente, ou criada uma alíquota para exportação de petróleo bruto para compensar internamente. Mas atacar a política de preços da Petrobrás é um grande erro que os governantes cometem, mostrando que não querem entender os mecanismos que movem o mercado”, afirmou.

Correio Braziliense