Para a psicóloga Keila Deslandes, a resposta parece demasiado óbvia. Adolescência não combina com gravidez. Segundo ela, a adolescente que engravida – ou, o adolescente que engravida uma mulher -, não está preparada para assumir a chamada ‘parentalidade’. “Não é socialmente competente”, diz a especialista para transmitir os valores da cultura à sucessão geracional. Recente Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense) 2019, divulgada no último dia 10/09 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou que a Paraíba registrou a quarta maior taxa do Brasil referente a meninas que engravidaram, ao menos uma vez, entre os 13 e 17 anos.

“Não tem desenvolvimento biológico para enfrentar uma gravidez. Abandona a escola e perde a chance de se inserir socialmente. Ou, ainda, relega a criação do rebento aos avós, se tornando irmão do próprio filho. No cenário das chamadas ‘oportunidades sociais’, caracterizadas pelo aumento da expectativa de vida da população, pelo prolongamento da escolarização, pelas mudanças nos papéis sociais relacionadas à emancipação feminina – onde se pode desvincular sexualidade e reprodução -, e pela massificação do acesso a bens de consumo, a gravidez na adolescência desponta como um verdadeiro desperdício do leque de oportunidades e prazeres da vida juvenil, capaz de suscitar um forte sentimento de indignação por parte da sociedade. Como se o adolescente, além de esbanjar a própria vida, colocasse ainda em prejuízo a geração futura, exposta aos riscos do abandono, e a geração passada, convocada a assumir responsabilidades perante os netos que não seriam suas” comenta a psicóloga.

O levantamento foi feito por meio de questionário em escolas públicas e privadas do Estado, totalizando mais de 220 mil estudantes. O percentual de meninas que engravidaram na adolescência foi superior à média nacional de 7,9% e regional, de 10,9%. A taxa paraibana ficou abaixo apenas dos números identificados em Alagoas (15,4%), no Maranhão (13,3%) e no Acre (12,8%). Em relação às escolas, a gravidez precoce se apresentou como mais comum nas escolas públicas, com 13,4%, do que nas instituições privadas, com 1,9% dos casos. A questão da educação sexual se mostra ainda mais importante na adolescência, período que é marcado pela puberdade e descobertas sexuais. Ainda conforme a Pense 2019, o indicador paraibano em relação ao uso de preservativo por parte de algum dos parceiros na última relação sexual foi o terceiro menor do Nordeste, com 57,5%. O percentual ficou acima dos estados de Sergipe (54,4%) e Alagoas (54,8%), mas abaixo da média nacional (59,1%) e regional (61,2%).

PB Agora