(Crédito: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

O deputado federal Luís Claudio Miranda (DEM-DF) chamou, nesta terça-feira (20/7), de tentativa de ‘calar testemunha’ a ação da Polícia Federal de encaminhar ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para definir se o parlamentar pode ser investigado por denunciação caluniosa contra o presidente Jair Bolsonaro no mesmo inquérito em que o mandatário é investigado por prevaricação. “É uma tentativa de me intimidar”, disse.

Miranda iria depor à PF nesta terça-feira, mas o depoimento foi remarcado para a próxima semana a pedido do parlamentar. O caso se refere à suspeita de prevaricação de Bolsonaro no caso da vacina indiana contra covid-19 Covaxin, do laboratório Bharat Biotech, representado no Brasil pela empresa Precisa Medicamentos.

O irmão do deputado, o servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda, disse à Procuradoria da República no Distrito Federal, e depois à CPI, que sofreu “pressões atípicas” para agilizar a importação do imunizante, apesar de problemas de valores na invoice (nota fiscal internacional) enviada pela empresa brasileira para pagamento. Além disso, os dois disseram ter se reunido com o presidente em março, quando relataram as suspeitas. Na ocasião, segundo o deputado, Bolsonaro disse que encaminharia as informações para que a Polícia Federal abrisse inquérito, o que não ocorreu.

Mensagens de celular

“É uma tentativa, às vésperas do meu depoimento, de me intimidar mais uma vez, tentar calar testemunha, já que a imprensa já sabe que eu tenho todas as provas… Que eles, de certa forma, conseguiram calar meu irmão. Não sei se meu irmão se acovardou, ou se de fato ele não tem. Mas eu tenho todas, porque ele encaminhou para mim. E agora eles partem para cima de mim, mais uma tentativa, como sempre, de tentar calar as testemunhas”, disse Miranda.

Quando fala sobre o seu irmão, Miranda se refere ao fato de o servidor ter dito à PF, em depoimento na semana passada, que trocou de telefone e não tem mais as mensagens que mostram as supostas pressões sofridas para agilizar a importação da Covaxin.