(Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press )

Com a confirmação, em cinco estados brasileiros, da variante Delta do novo coronavírus — identificada primeiramente na Índia —, a capital do país está em alerta para um possível caso de infecção pela nova cepa. A Secretaria de Saúde do Distrito Federal, com apoio do Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-DF) e da Universidade de Brasília (UnB), monitora os grupos do vírus em circulação no DF. Até o momento, as instituições, inclusive a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), não detectaram nenhuma ocorrência da Delta na capital do país. Nesta quarta-feira (7/7), começa o atendimento das 40.018 pessoas com 44 anos ou mais que agendaram a vacinação contra a covid-19 durante o fim de semana.

Segundo a secretaria, o trabalho do Lacen-DF consiste em realizar o sequenciamento genético de amostras coletadas de testes RT-PCR selecionados pelo próprio laboratório. O projeto teve início em janeiro de 2021, e os primeiros resultados saíram em fevereiro. O laboratório sequenciou mais de 490 exemplares, e os resultados indicam que a variante P.1 é a predominante no Distrito Federal (veja Cepas no DF).

Segundo representantes da UnB, os pesquisadores podem realizar o sequenciamento de 25 a 30 amostras por semana, por meio de uma máquina que faz a leitura do material genético em tempo real. Para o professor Bergmann Morais, um dos cientistas à frente da pesquisa, a quantidade é pequena e, apesar de ajudar no monitoramento da pandemia, não identifica com tanta rapidez o surgimento de novas cepas. “Considerando que há 15 casos no país e um em Goiás, é possível que a Delta esteja no DF. Porém, até agora, não a identificamos em nenhuma amostra de testes”, reforça.

“Apesar disso, a vigilância é sempre necessária e precisa continuar acontecendo e crescendo, assim como a vacinação”, destaca Bergmann. O professor afirma que, caso a variante Delta seja encontrada, é importante trabalhar para isolar o paciente e a rede de contatos dele, para evitar que ela alcance a predominância no DF.

Impactos

O professor e virologista da UnB Fernando Lucas Melo explica que a variante Delta — considerada preocupante pela Organização Mundial da Saúde (OMS) — tem, pelo menos, duas mutações específicas na proteína que se liga à célula humana e aos anticorpos. Por isso, um descontrole dessa cepa pode levar o DF a uma nova explosão de casos e ocupação de leitos de unidades de terapia intensiva (UTIs). “Quando ela entra em contato com o corpo, os anticorpos não reconhecem mais a proteína, pois ela é diferente das que já estavam em circulação. Por isso, se não houver um controle epidemiológico e de vigilância, há a possibilidade de acontecer o mesmo que aconteceu quando a P.1 chegou”, diz.

Procurada, a Secretaria de Saúde afirmou que acompanha as ocorrências da covid-19 registradas no DF. “Todo caso suspeito de nova variante passa por monitoramento e sequenciamento genético”, informou a pasta por meio de nota. Até o momento, o órgão reforça que não há nenhum caso sob investigação ou confirmado.

Nas últimas 24 horas, o DF registrou 594 infecções pelo novo coronavírus e 10 mortes. A capital acumula 434.708 ocorrências e 9.322 óbitos pela covid-19. A taxa de transmissão do vírus segue em 0,92. A média móvel de casos chegou a 724,6, menos 13,5% do que o registrado há duas semanas. O indicativo médio de mortes é de 12,8, índice 33,7% menor do que o visto há 14 dias.

A rede pública de saúde, nessa terça-feira (6/7), operava com 75,65% de ocupação dos leitos de unidades de terapia intensiva (UTIs) voltadas para o tratamento do novo coronavírus. Dos 422 leitos, 146 estavam ocupados, 47 livres e 229 bloqueados. Na rede particular, a ocupação era de 79,50%, sendo que das 271 unidades, 159 estavam com pacientes, 43 vagas e 69 bloqueados. Na fila, havia oito pessoas com suspeita ou confirmação de infecção pelo Sars-Cov 2.

Vacinas

De acordo com estudos recentes, três das quatro vacinas contra a covid-19 em aplicação no DF são efetivas contra a variante Delta. A Public Health England, agência de saúde do Reino Unido, com mais de 14 mil casos analisados, mostrou que a Pfizer e a AstraZeneca protegem contra a Delta. A Universidade de Oxford confirmou os resultados. A produtora da Janssen, a Johnson & Johnson, afirmou que a vacina também é eficaz contra a cepa.

Atualmente, podem se vacinar na capital federal, por meio de agendamento, pessoas com 44 anos ou mais e pessoas com comorbidades a partir de 18 anos. Segundo o Governo do Distrito Federal (GDF), as vagas foram preenchidas no início desta semana e, nessa quarta-feira, começa a aplicação dos imunizantes nesse público. O GDF aguarda a chegada de uma remessa de vacinas para, então, ampliar o público da campanha. Não há confirmação do Ministério da Saúde sobre quantidade ou data de chegada de mais doses à capital federal, mas a expectativa é de que, com o novo lote, seja possível contemplar mais faixas etárias.

A professora Mary Aune, 41 anos, moradora do Paranoá, aproveitou o momento da vacina para celebrar e se divertir. Acompanhada de um fantoche jacaré feito com materiais recicláveis como caixa de leite, caixa de ovos e papel, ela destaca a alegria de ser imunizada. “Todo mundo está querendo virar jacaré e, embora seja uma brincadeira, é um privilégio poder se vacinar. Aqui em casa, por exemplo, meu marido e minhas filhas ainda não foram imunizados”, relata. Mary pontua a importância de valorizar a ciência. “É impressionante como fomos bem recebidos, com uma equipe muito bem preparada. Claro que a nossa expectativa é de que mais pessoas sejam vacinadas no DF e em todo o Brasil, pois o país sofreu muitas perdas, inclusive pessoas próximas da nossa família e amigos. Mas, finalmente, começamos a enxergar uma luzinha no fim do túnel”, ressalta.

Nessa quarta-feira, o DF vacinou 18.758 pessoas com a primeira dose (D1), 1.361 com a D2 e 431 com a Janssen, de dose única. A capital soma 1.046.750 aplicações da D1, 347.688 da D2 e 16.402 da Janssen.

Para fugir da gripe

No primeiro dia após a Secretaria de Saúde abrir a campanha de vacinação contra a influenza para toda a população acima de seis meses de idade, a adesão à imunização foi alta. Segundo fontes da pasta, apesar de ainda não se ter um balanço do atendimento, acredita-se que a participação do público foi maior de que a da primeira etapa da campanha — que não atingiu 50% de cobertura dos grupos de risco. A campanha seguirá aberta até que as doses em estoque se esgotem.

Ana Karina Militão, 46 anos, se vacinou contra a gripe no trabalho, assim que o órgão disponibilizou doses para o quadro de pessoal. Agora, a servidora pública espera completar o intervalo para se imunizar contra a covid-19. “Quero receber as duas vacinas. É uma coisa importante. Estou aguardando o fim do período recomendado para agendar o meu atendimento”, diz.

A Secretaria de Saúde explica que, caso a pessoa tenha recebido a vacina contra a covid-19, ela deve só pode tomar a da influenza 14 dias depois, e vice-versa. Quem imunizou-se com a CoronaVac, deve aguardar 14 dias depois de completar o esquema vacinal, uma vez que o intervalo entre as doses dessa vacina é curta, de até 28 dias. Ou seja, após tomar a D1 e a D2.

Para receber o imunizante, basta procurar uma das 100 unidades básicas de saúde (UBSs) que aplicam a vacina. O atendimento é das 8h às 17h. Para receber a aplicação, é preciso apresentar o cartão de vacina e um documento de identidade com foto. Se a pessoa não tiver o cartão, um novo será entregue na unidade de saúde.

Cepas no DF

B > Uma das primeiras cepas a circularem
B.1.1 > Uma das primeiras cepas a circularem
B.1.1.28 > Uma das primeiras cepas a circularem
B.1.1.33 > Uma das primeiras cepas a circularem
B.1.1.7 > Identificada em dezembro de 2020 no Reino Unido
P.1 > Identificada no final de 2020 em Manaus, no Brasil
P.2 > Identificada em abril de 2020 no Rio de Janeiro, Brasil

Correio Braziliense